Lina do Carmo

A coreógrafa e dançarina Lina Do Carmo reside e trabalha há muitos anos na Alemanha e no Brasil. Seguindo sua formação em dança e teatro no Brasil e nos USA, Lina conclui o diploma em Mimodrama com Marcel Marceau, em Paris e desenvolve na sua trajetória uma linguagem de movimento e gestos igualmente autêntica e autônoma. Assim a artista constrói uma vasta experiência internacional no campo do teatro e inovações para televisão, por exemplo a TV Globo no Brasil. As diferentes técnicas corporais se fundem com a emoção vinda de sua natureza brasileira e cria um estilo único de movimento-gestual, com o qual ela produziu diversas coreografias solos e para grupos.

Nome Completo: Lina do Carmo

Descrição: Coreógrafa e dançarina

Data de Nascimento: 10/10/2016

Local de Nascimento: Teresina-PI

As primeiras experiências com a arte

Lina do Carmo nasceu em Teresina. Ainda na infância a piauiense ganha “ares de artista” nas primeiras aulas de teatro e balé na cidade de Parnaíba, litoral do Piauí, por meio do Grupo Laborarte e do diretor de Teatro na época (1966) Américo Azevedo Neto. Ainda muito jovem em tempos de ditadura e Tropicália, junto a coreógrafa piauiense Eleonora Paiva, músicos e escritores da capital , Lina fez parte de uma geração que rompe com os limites que a capital do Piauí hoje desconhece. Aos 17 anos vai estudar em Fortaleza onde fez o primeiro workshop sobre o método de Eugênio Kusnet no Teatro José de Alencar. De lá parte para o Rio de Janeiro onde cursa a UniRio, faz a Escola de Teatro Martins Penna, e se aproxima da pantomima e do mestre Klauss Vianna, bem como, de artista e referências – Isadora Duncan, Charlin Chaplin – que iniciariam a trilha de sua formação profissional.

O despertar da criação

O despertar da criação coreográfica de Lina Do Carmo foi acontecendo no processo de formação de atriz e mímica. A dança sempre esteve em sua vida desde a infância, como uma forma de estar no mundo e se relacionar com seu corpo e tudo que vive. Lina acredita que o processo de profissionalização é natural, o artista nasce com esta consciência profissional, não são os diplomas que fornecem este ganho mas a vivência. Suas pesquisas expressam suas inquietações. Sobretudo o que nos torna humano, sensível e primordial. A origem como força inesgotável. A riqueza das diferenças. O que parece distante que na verdade é tão próximo, como as contradições podem ser propostas poéticas… E assim tudo a inspira, observa com atenção especial aquilo que se esconde.

Experiências artísticas

Os anos 70, lembrando do slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o” do ditador Médici, Lina Do Carmo (www.linadocarmo.de) segue rumo ao estrangeiro e matricula-se no National Mime Theatre(EUA). Retorna ao Rio de Janeiro em 1981 lançando-se no mercado profissional com a criação de “Pierrô Nordestino”, onde, fixa-se como artista independente dando aulas em diferentes escolas de dança e teatro. Nesta época recebe o convite de Nelson Xavier para compor o grande elenco da peça “A Moda da Casa”, ao lado de artistas como Henriqueta Brieba, Iara Amaral, Nelson Dantas, e Anselmo Vasconcelos Ainda e começa a ganhar o reconhecimento da crítica. Transitando no efervescente cenário artístico carioca ganha chances que a conduziam para o mercado da TV Globo e até mesmo para o cinema defendendo uma ponta no filme “Bar Esperança” de Hugo Carvana.

A interdisciplinaridade da artista

No ano 2000, Lina Do Carmo (www.linadocarmo.de) concentrou suas atividades no Brasil, onde desenvolveu novas pesquisas relacionadas à dança e arqueologia, em estreita colaboração com a FUMDHAM (Fundação Museu do Homem Americano), no Parque Nacional Serra da Capivara-Piauí, sua terra natal, dando início ao projeto de arte educação, Pro-ARTE FUMDHAM, um programa de formação, criação e pesquisa, premiado em 2002 Cidadão 21-ARTE, pelo Instituto Ayrton Senna. Em 2003, ela idealiza e dirige o 1° INTERARTES, Festival Internacional Serra da Capivara. E, pelo seu engajamento social e político foi contemplada na indicação em fomento cultural para o “Prêmio Multicultural Estadão“. Entre o Brasil e Alemanha, Lina do Carmo buscou combinar inovação artística, herança pré-histórica e proteção da natureza. Após o sucesso da segunda edição do Festival INTERARTES, em 2004, ela foi premiada pelo CARAVANA FUNARTE INTRA-REGIONAL, que apoia sua tournée nacional com o seu solo CAPIVARA. A Serra da Capivara é mítica para Lina. Lugar do eterno retorno de onde nunca partiu porque lá estão os gestos da humanidade que nos inspira a ver que o múltiplo no singular, a transformação do ser em forma teatral surgindo de um contexto coletivo e individual. As regras de Marcel Marcel ela reencontra sempre nos traços dos ancestrais. Tudo se explica para ela enquanto evocação da vida e inteligência sensível. O teatro e seu duplo de Antonin Artaud, os efeitos de estranheza que implica o teatro de Brecht, a dança-teatro, o ritual. Enfim, uma finte mesmo. Além de que a Caatinga e as formações rochosas são exuberantes e a coloca perplexa diante da beleza. O belo é mesmo inexplicável e toca na nossa porção mais humana. Então a Serra da Capivara a faz esquecer o supérfluo e mergulhar na essência.

Autoconstrução da dançarina

Com o contato com a da dança contemporânea e por meio das aulas de Carlos Affonso, Graziela Figuerosa e Klauss VIanna, Lina Do Carmo opta por ir à Europa e ao encontro do Mestre Marcel Marceau. Em 1983 chega a Paris para a formação na École Internationale de Mimodrame com quatro malas e um filho de quatro anos. Após temporada na França em 1986 Lina é convidada pela Goldston Mime Foundation, em Ohio, como assistente de Marcel Marceau no seu seminário de verão e os novos convites surgidos nessa oportunidade acabam redesenhando seu retorno ao Brasil. Sobre sua experiência com Marcel Marceau, Lina nos conta que “Marcel Marceau foi o olhar que me impulsionou na autoconstrução – na definição de um caminho expressivo onde o gesto é a possibilidade de corporificar os sentimentos e entender na complexidade do corpo todas as vertentes estéticas enquanto revelação, fenômeno e temporalidade extracotidiana. Na verdade Marceau foi aquela escola de regras duráveis pois estão calcadas no humano.” Estabelece-se em Botafogo e se debruça sobre projetos pedagógicos sonhando em abrir uma escola própria nos agitados anos 80. No subsolo do Teatro Vila Lobos ministra as primeiras aulas para alunos como Bebel Gilberto, Cazuza e muitos outros que acabaram despontando no cenário nacional e internacional. Lina inicia então um período de intensa atividade profissional no mercado brasileiro coreografando projetos, dentre outros diretores, com Hans Donner (abertura da novela Sassaricando, especiais para o Fantástico) e atuando em inúmeros projetos no meio artístico carioca. É nesta época que recebe o convite de Eleonora Paiva, coreógrafa que estava a frente da Escola de Dança em Teresina. Lina recebe com entusiasmo e carinho a oportunidade de reencontrar suas origens e retornar pela primeira vez à sua terra natal.

O sonho da dançarina

Para Lina Do Carmo (www.linadocarmo.de) a dança não tem mercado, a dança é resistência a este mundo de mercadorias, a dança é mais que isto. A dança é pintura, escultura, poesia, música, filosofia e assim vamos desdobrando os muitos conhecimentos que a dança possui e processa em vida. Sobre seus sonhos, ela afirma que seu sonho se expressa em tudo que faz. Não tem ilusões, mas sonha em construir um espaço canalizador do belo e de saberes perenes neste mundo em desconstrução e queda de valores substanciais. Seu sonho é contribuir na resistência à mediocridade. Para isto precisa se confrontar com ela, atravessar muros rígidos, amolecer músculos tensos de vaidades inúteis. E de recomendação para quem seja ser um dançarino, Lina do Carmo aconselha “viver aquilo que pulsa silenciosamente e que é guia para atrair a prosperidade. Nunca se deixar influenciar pelas modas e modismos mas sentir a si mesmo e se tornar gesto de esperança”.

Contatos

http://www.linadocarmo.de/1-2-LINA-DO-CARMO.html

info@linadocarmo.de

Fotos

Vídeo

 

Coreografias

Viajante da Luz (Lichtreise);

Flamme des Augenblicks;

Aruanãzug;

Capivara;

Fugitus;

Voodoo do Plastik;

Victoria Regia;

Body Images.

Outras fontes

 

Última atualização: 23/10/2016

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

Publicado em: Artistas, Dança

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