O ofício da cigarra

O sol nem despertou por completo e já riscou o horizonte afastando o negrume da noite. Os trabalhadores já se revezavam exauridos pela rotina do dia anterior. Os noturnos voltavam, dessincronizados, aos seus ninhos, casas e tocas. A maior parte da vida, naquele grande jardim, criava corpo nas primeiras horas … Continue lendo O ofício da cigarra

Rascunho 6

O corpo é produto, é tudo, é onde materializamos conceitos, é a manifestação dos preceitos. Tanto que nele imprimimos regras, tatuamos proibições, negamos, claro, os próprios instintos. O corpo é modelado, puro amontoado de ideias. O corpo foi esquartejado, matematizado. O corpo é subversivo, amaldiçoamos o sexo, mecanizamos a vida, … Continue lendo Rascunho 6

Rascunho 5

Posso te beijar? Transpor os teus lábios? Acariciar o teu rosto? Cheirar feito bobo a fragrância do teu perfume? Posso meditar na tua nuca? Deslizar-me sobre a tua epiderme? Perturbar o teu dia? Roubar a tua noite? Sussurrar nos teus ouvidos? Ser mais que bons amigos? Posso?

Rascunho 4

Você gozava com as letras, Com o meu pavor de borboletas, E eu queria usar a sincronia do vento Para tragar o seu cheiro Ou me deleitar com o seu talento. Você se desfazia dos meus versos Se rebolando e desviando das minhas marras Nem mil redes segura toda a … Continue lendo Rascunho 4

Rascunho 3

Olho nos teus olhos… Todas as partes dos corpos se destravam. De todos os escudos e camadas, só o olhar desfaz as máscaras. És o meu reflexo tão distante, o olhar furtivo focado no meu quadrante. Um ser perdido que se reconhece no exótico e introspectivo mundo diminuto, porém infinito. … Continue lendo Rascunho 3

Rascunho 2

Meus silêncios são tempestades nas águas calmas do teu peito confortador. Queria eu, ser o motivo das borboletas que voam, serenas, no teu estômago gélido, inóspito, no teu abraço, mórbido e frio, que me desesperou. Conformado dos limites de não ser também alado, tento te apreciar tácito e sempre rindo … Continue lendo Rascunho 2

Rascunho 1

Rascunhei um verso qualquer, parafraseando pensamentos, idealizando sentimentos, resgatando da gaveta esquecida algumas folhas perdidas. Sem nenhuma inovação, escrevo versos de verão, daqueles voláteis que nunca serão lembrados, são curtos traços inacabados. Líquido sem valor, nem tardou e já evaporou, são fragmentos desconexos recolhidos no breu da madrugada aleatoriamente, sem … Continue lendo Rascunho 1