Quem me conhece bem sabe que sou alucinada por banana. Pode faltar tudo na minha casa, menos banana. Pra todo mal a banana é a cura. Saudade, tristeza, fome, enxaqueca, ressaca, dor de corno, seja lá o que for, meu conselho sempre foi: – Coma banana! Minhas filhas foram criadas na base de banana, e quando me perguntam meu segredo de beleza e de tanta resistência, eu dou a mesma resposta: – Banana.
Tudo começou quando a Clara nasceu e uma pediatra do Piaui muito direta e deliciosamente rude, me disse: “- Minha filha, você pode até mostrar pra ela o que é uma maça, só pra ela saber, mas dê banana. Um pais que tem em fartura a fruta mais completa do mundo em vitaminas, minerais e fibras, não precisa de negócio de kiwi.” Médica maravilhosa, mudou minha vida.
Banana é pop, é cult, é musical, é arte, está por todos os lados da cultura e da história. A banana é inclusive mencionada em documentos escritos em textos budistas de cerca de 600 a.C, e sabe-se que Alexandre, o Grande, comeu bananas nos vales da Índia em 327 a.C. E nós comemos e fazemos arte com a banana a torto e a direito em todos os tempos.
Quando penso em arte e banana, lembro logo de Carmem Miranda, “Yes, nós temos bananas”, inclusive a frase é citada na emblemática música tropicalista “Marginália II, de nosso Torquato Neto e Gilberto Gil, e que também dá título a um curta biográfico que todos deveriam assistir sobre a vida da nossa Pequena Notável. Penso em “Chiquita Bacana” e tantas outras marchinhas de Carnaval que citam a banana e nos imprimiram a forte sensação de brasilidade e de pertencimento. Jackson do Pandeiro com seu “Chiclete com Banana”, “Vendedor de Bananas” de Jorge Benjor, “Bananeira” de João Donato, chegando até na esfuziante e muito conectada, Anitta, no seu clipe com a Becky G, BANANA. Claro, que uma artista esperta e com bom marketing nunca deixaria a banana de fora! E hoje convido a todos a conhecerem a jovem e impactante, Júlia Vargas, cantora carioca, exemplo de uma geração que veio pra mudar o cenário, com conceito artístico e brasilidade, no seu “Banana pop”.
No âmbito internacional e da arte pop, a imagem da banana foi desenvolvida em 1965 por Andy Warhol especificamente para ilustrar a capa do álbum de estreia do Velvet Underground. Nas cópias iniciais do disco, a banana vinha como um adesivo que, ao ser retirado, dava espaço à imagem da fruta em cor alaranjada e sem casca, deliciosa. Além de canções como “Banana pancakes” de Jack Johnson, o clássico ” Banana Boat Song” de Harry Belafonte, e tantas outras. Vale fazer uma playlist da BANANA.
Na cultura pop infantil os “Bananas de pijama”, B1 e B2, que retratavam as vitaminas contidas na banana, além dos carismáticos MINIONS, com sua fala monotemática: “- BANANA! Lembrei agora de um grupo circense de Campo Grande, “Circo le chapeau” com seu espetáculo carnavalesco “Nação Banana”, e porque não falar da banda dos anos 80 chamada “João Penca e os miquinhos amestrados” onde o Paulinho Moska era o vocalista, com sua música picante e de duplo sentido, “Como macaco gosta de banana”.
Tudo isso me veio a cabeça porque tive um sonho com a nossa cantora irreverente e piauiense, Bia Magalhães, onde ela me mostrava um clipe dela cantando uma música que falava em bananas, e muitas bananas em desenho animado adornavam o cenário, uma mistura muito divertida e cult, me lembrando o que aquela médica tinha me dito há anos:”- Pra quê kiwi se temos bananas? ” Talvez por paladar, colorido, por questão de variar gosto, mas na hora da nutrição, meus queridos, meu negócio é banana! E isso nós temos de sobra.
Patricia Mellodi
(21) 976963079
Patrícia, ótimo texto. E até pensei alto: e o que oferecemos aos políticos que se desviam de suas responsabilidades? BANANA!!! (Desculpe o uso da deleitável fruta a quem não a merece, além de tocar no tal assunto política que, a bem da verdade, eles que estão nos dando uma “bananada”, o que é triste).
PARABÉNS!!! Gosto de ler seus textos sempre, no Facebook, e agora aqui. Avante!!!
Texto maravilhoso! Só tenho uma observação: o Paulinho Moska não fez parte do “João Penca e Seus Miquinhos” e sim do “Inimigos do Rei”.
Texto fantástico… Sempre arrasando! ! Além de admiradora de bananas tem conhecimento cultural relativo à elas, coisas que jamais imaginei ler e aprender. Salve a Ana …salve a banana!