Linguagens

PNEUMOTÓRAX

 

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Poema de Manuel Bandeira

 

 

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FANAL DO MISTÉRIO ÍNTIMO

 

Este sou eu, por dentro.
No centro, ossos intactos.
À direita, o coração
cujo conteúdo
é-me transparente.

Assim, de susto, vi-me
na noite de estômago
e solidão reluzentes.

No raio-x íntimo,
o doutor, por mim, constatou:

Tua poesia é esta desnudez
de ser esqueleto e delírio
no intestino de teu próprio
grito:

a claridade de vértebras
a operar enigmas.

Poema de Diego Mendes Sousa

 

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Diego Mendes Sousa e Manuel Bandeira

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