FANAL DO TORRÃO REENCONTRADO, de Diego Mendes Sousa

Vou me levantar agora e ir, irei para Innisfree.
WB Yeats

Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira

Quando mais tarde
o peso cretino e revolto dos anos
for temporão…

Na claridade do espelho de rugas ou
na tapeçaria de um rei pleno.

No tempo, em que a morte
começar a se avizinhar da vida
e a manhã for outra solidão amarga.

Irei reencontrar a Pasárgada da minha infância,
irei reviver Innisfree,
e o vidro calado dos olhos será
a Parnaíba reencontrada,
a Ilha Grande, o mar da Pedra do Sal,
o Porto dos Tatus, o Carnaubal em silêncio…

Minha avó etérea que se fará saudade!
Meu avô menino que se fez esquecimento!

Irei de qualquer forma dormir.

Sonharei com laços, corações, casas, árvores, xananas, tinteiros, fanais, desertos, pássaros coloridos.

Ouvirei panelas em incêndio, o cheiro da carne assada, o gosto do rosbife, o prato principal, as luzes dos talheres refeitos,
tudo terá sabor de candelabro apagado.

Na velhice,
pretendo voltar ao Piauí.

Farei usufruto com o esplendor da energia solar,
sentirei os ventos que girarão a imensidão
da usina eólica,
conviverei com os cajueiros de cajus
de amarelo intenso
como a tarde que habitará
a minha alma mais triste e ali suicida.

Altaíba, meu berço, já não será a mesma,
terá rosas ansiosas na sonolência tangível.
Viverei alegrias e tristezas no pensamento.
Amarei como quem perdeu
a passagem
– sem jamais ter comprado o bilhete –
e a aventura de um trem
rumo a Amarração, na velocidade dos caranguejos.

O Amor é uma simplicidade na convivência
nada ideal, somente afinidades
que embocam ocultas no sentimento.

Minha Pasárgada, minha Innisfree, minha Altaíba.
Meu Manuel Bandeira,
Meu William Butler Yeats,
eu, Diego Mendes Sousa,
na fantasia e na incerteza da imaginação.

Três poetas, três lugares imaginários,
três mistérios desiguais…

Levantarei, ainda, três profecias

(asas vermelhas de guarás, brancura de rasga-mortalha na noite, o futuro da lua elegante
para sempre prateada
sobre todas as coisas)

para aplacar a terra do nascimento,
o torrão do desaparecimento.

Poema de Diego Mendes Sousa.

http://www.proparnaiba.com/artes

https://diegomendessousa.wordpress.com/

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